14/03/2009

-Amor Próprio- à J.A.F.


E no meio do caminho
Enquanto tentava te esquecer...
Acabei me perdendo
E sozinha, lembrei de você.
As noites que já passei contigo,
Os bons momentos que ao teu lado passei...
As lembranças rodeando meu pensamento
Deixando triste meu coração,
Porque pra você o que foi coisa de momento
Pra mim era algo maior que paixão...
Mesmo assim, sigo minha vida e enfim
Por tudo o que um dia já sofri,
Permaneço eu com meu grande medo...
O medo de sofrer de novo,
Por isso já entreguei o jogo
E não me iludo mais...
Quem me ampara é minha própria agonia,
E a solidão hoje me sustenta e me faz companhia...
E descubro a cada amanhecer,
O quanto isso tudo tem feito bem pra mim.
Não vivo mais de criar expectativas,
Alguém suficientemente sensato e realista
Como eu também assim pensaria...
Descobri que a vida pode ser completa por coisas muito simples,
Como a chuva do fim de tarde,
As imagens na tv, o sol, o vento, eu mesmo...
Os risos tolos das lembranças que um dia me fizeram chorar,
A minha família, os meus animais, a lua ou um bom banho de mar...
Entendendo assim, que não preciso de mil beijos, mãos e abraços
Pra que eu possa me sentir querida...
Que o calor de outro corpo é opção,
Que amar a si próprio é obrigação...
E eu, eu aprendi a me amar.
Aprendi a ignorar aos poucos as dores que já senti,
Os sonhos que já tive e os amores que perdi.
Hoje no meio do caminho lembrei de ti,
De quanto você me ajudou a me enxergar,
Me entender e me aceitar...
Sim, lembranças vão e vem no pensamento.
Mas são só lembranças,
E do jeito que elas vem também vão embora.
Não quero mais lagrimas, não quero mais mentiras,
Não quero ilusões e nem dor...
O que me ampara hoje é o que eu espero de mim mesma,
Quem me ampara hoje é a consideração dos meus amigos...
E o meu amor próprio, é ele que tem me fortalecido.
[Juliana A. Fernandes]

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